Engenharia biológica corretiva e eliminação de fonte secundária em matriz porosa lindeira

Engenharia biológica corretiva e eliminação de fonte secundária em matriz porosa lindeira

Por: Gesa - 19 de Junho de 2026

ESTUDO DE CASO: ENGENHARIA BIOLÓGICA CORRETIVA E ELIMINAÇÃO DE FONTE SECUNDÁRIA EM MATRIZ POROSA LINDERA (MANDIRITUBA/PR)

1. INTRODUÇÃO E ALINHAMENTO DO PROJETO

O presente estudo documenta a fase de encerramento do passivo ambiental gerado pelo vazamento de gasolina no km 144 da Rodovia BR-116, em Mandirituba, PR. Após a identificação de concentrações remanescentes de Benzeno e Xilenos na zona vadosa leste durante o monitoramento regulatório, foi mobilizado um protocolo de engenharia corretiva in situ em uma área total de 1.500 m².

  • Objetivo da Intervenção: Mitigar e degradar a massa de hidrocarbonetos adsorvida na matriz do solo, inviabilizando a consolidação de uma fonte secundária de contaminação.
  • Tecnologia Aplicada: Biocatalisadores avançados através do Acelerador Enzimático CPR-Plus.

2. CARACTERIZAÇÃO DO ECOSSISTEMA VULNERÁVEL

Diferente de cenários com zonas insaturadas profundas, a área do sinistro apresentou condicionantes hidrogeológicos severos para a engenharia de água e solo.

O local do acidente possui perfil de solo bem desenvolvido com o lençol freático raso, menos de 1 metro de profundidade nos pontos avaliados. A presença de um lençol freático a menos de 1 metro associado a um canal intermitente eleva drasticamente o risco de recarga preferencial e transporte de contaminantes dissolvidos para o aquífero freático local.

Para calibrar o modelo de degradação, a amostragem confinou-se estritamente à zona não saturada (zona vadosa) do canal intermitente, permitindo rastrear o comportamento da interação físico-química entre a matriz sólida, o combustível gasoso e o biorremediador enzimático.

3. PROTOCOLO OPERACIONAL E CINÉTICA DE APLICAÇÃO

A engenharia de aplicação do biorremediador foi desenhada para saturar a zona vadosa superficial sem forçar a percolação convectiva para o lençol freático subjacente. O cronograma operacional estendeu-se de 28 de outubro a 06 de novembro de 2025.

  • Aporte Inicial de Choque (Dia 01): Distribuição homogênea de 300 litros de insumo concentrado diluídos em 600 litros de veículo hídrico.
  • Ativação Catalítica (Dia 03): Introdução de 20 litros de catalisador em 500 litros de água para acelerar a quebra das ligações aromáticas recalcitrantes.
  • Aportes Complementares (Dias 04, 06 e 09): Três ciclos sequenciais de 200 litros de insumo concentrado diluídos em 600 litros de água por evento.
  • Manejo Hidrológico (Dias 02, 05, 07, 08 e 10): Intervalos técnicos alternados com irrigações controladas efetuadas estritamente sob ausência de chuva, impedindo a lixiviação do pool enzimático e otimizando a umidade do solo para a microbiota nativa.

4. DIAGNÓSTICO ANALÍTICO PÓS-TRATAMENTO

A campanha de avaliação laboratorial foi realizada em 04 de dezembro de 2025, 25 dias após a cessação das atividades em campo, assegurando o decaimento biótico real. Foram consolidadas sondagens em quatro pontos distintos (ST-01 a ST-04) na zona não saturada.

Abaixo, consolidam-se os dados laboratoriais finais das frações críticas remanescentes no canal intermitente.

Ponto de SondagemProfundidadeBenzeno (mg/kg)Xileno Total (mg/kg)TPH Total (mg/kg)Status
ST-01 10 cm < 0,001 < 0,03 21,07 Em conformidade
ST-01 20 cm < 0,001 < 0,03 16,51 Em conformidade
ST-01 35 cm < 0,001 < 0,03 18,24 Em conformidade
ST-02 5 cm < 0,001 < 0,03 < 0,01 Em conformidade
ST-02 10 cm < 0,001 < 0,03 6,04 Em conformidade
ST-02 30 cm < 0,001 < 0,03 11,82 Em conformidade
ST-03 5 cm < 0,001 < 0,03 27,51 Em conformidade
ST-03 20 cm < 0,001 < 0,03 9,95 Em conformidade
ST-03 30 cm < 0,001 < 0,03 11,20 Em conformidade
ST-04 5 cm < 0,001 < 0,03 11,80 Em conformidade
ST-04 20 cm < 0,001 < 0,03 11,10 Em conformidade
ST-04 30 cm < 0,001 < 0,03 10,42 Em conformidade

Nota: Todos os parâmetros de Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (PAHs) mantiveram-se abaixo do limite de detecção analítica em todas as sondagens.

5. PARECER AVANÇADO E DISCUSSÃO ENGENHARIAL

Descontaminação Total de Monoaromáticos (BTEX)

Os dados comprovam a eliminação sistemática da pluma gasosa e dissolvida de monômeros aromáticos na zona vadosa. O benzeno — que anteriormente atingia picos de 0,116 mg/kg e 0,229 mg/kg nas camadas superficiais do local — foi degradado a níveis inferiores ao limite de quantificação do método (< 0,001 mg/kg), refletindo uma eficiência de destruição química de 99,1% e 99,5%, respectivamente.

De igual modo, a carga de xileno total foi mitigada com taxas de eficiência superiores a 99% no topo e 95,6% na base das sondagens, alcançando a conformidade absoluta frente às metas residenciais e preventivas mais restritivas.

Avaliação do Balanço de Massa de TPH Total

O TPH total foi quantificado de forma difusa na maioria das amostras, variando de 6,04 mg/kg a um teto máximo de 27,51 mg/kg (ponto ST-03 a 5 cm de profundidade). Embora a Resolução CONAMA nº 420 omitisse valores orientadores para TPH, o cruzamento de engenharia com o Decreto Municipal nº 1.190/2004 de Curitiba (limite máximo de 50 mg/kg) atesta que os níveis remanescentes estão sob absoluto controle e em conformidade técnico-legal.

Esses resíduos de TPH representam subprodutos inertes e hidrocarbonetos de cadeias estabilizadas pós-clivagem enzimática, desprovidos de toxicidade volátil ou capacidade de partição hídrica indesejada.